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40% das IAs vão sumir até 2027: como não apostar na errada

O Gartner prevê que mais de 40% dos projetos de IA serão abandonados até 2027. Veja como saber se a inteligência artificial que você usa é das que ficam ou das que somem.

Thiago Nunes22 de maio, 20266 min de leitura
40% das IAs vão sumir até 2027: como não apostar na errada

Você começou a usar uma IA pra te ajudar em alguma coisa. Gostou. Criou o hábito. Aí, seis meses depois, recebe aquele e-mail: "estamos encerrando o serviço, obrigado por tudo".

E lá se vai o seu histórico. O hábito que levou semanas pra grudar. Aquela confiançazinha que você tinha começado a depositar ali, meio sem perceber.

Não é azar seu. É estatística. E entender o porquê muda bastante a forma como você escolhe em qual IA confiar daqui pra frente.

O número que assustou o mercado

Em meados de 2025, a consultoria Gartner — uma das mais respeitadas do mundo em tecnologia — soltou uma previsão que correu a internet:

Mais de 40% dos projetos de IA com agentes serão cancelados até o fim de 2027, segundo o Gartner. Os motivos: custo alto demais, valor de negócio que não se prova, e falta de controle sobre o que a IA faz.

Traduzindo: quase metade das "IAs revolucionárias" que estão sendo lançadas hoje vai simplesmente deixar de existir. Não porque IA não funciona — funciona, e muito. Mas porque a maioria dos projetos foi feita às pressas, surfando o hype, sem pé no chão.

E quem paga essa conta? Em parte, o usuário que apostou na ferramenta errada.

O truque que quase ninguém percebe: "agent washing"

Essa parte é a mais importante, e o próprio Gartner deu nome a ela: agent washing.

É quando uma empresa pega um chatbot velho, um assistentezinho que só responde pergunta, ou um robô de respostas prontas, coloca a etiqueta de "agente de IA" e vende como novidade. Por fora, parece o futuro. Por dentro, é a mesma coisa de sempre.

O Gartner foi duro: dos milhares de fornecedores que se dizem "de IA com agentes", eles estimam que só cerca de 130 sejam de verdade. O resto é embalagem.

Por que isso importa pra você? Porque a IA que parece incrível na propaganda pode ser uma casca. E casca não se sustenta. É exatamente esse tipo de produto que entra na conta dos 40% que vão sumir.

A diferença entre uma IA que conversa e uma que resolve

Aqui tá o coração da coisa. Existe uma diferença enorme entre dois tipos de IA, e bater o olho nela já te protege:

A IA que só conversa. Você pergunta, ela responde bonito, e pronto. No minuto seguinte já te esqueceu. Não executa, não lembra, não acompanha. É um bom papo, e só.

A IA que resolve. Essa lembra do seu contexto, faz coisa por você, acompanha sua situação com o tempo e às vezes te avisa de algo antes de você pedir. Ela trabalha. Não fica só tagarelando.

A maioria das que vão sumir é do primeiro tipo se vendendo como o segundo. É bem aí, nessa brecha, que o agent washing mora.

5 sinais de que a IA que você usa veio pra ficar

Como é que você, sem ser da área de tecnologia, distingue uma da outra? Olha esses cinco sinais. Servem pra qualquer IA, seja de finanças, de saúde ou de estudo.

1. Ela lembra de você?

Faz o teste: ela sabe quem você é de uma conversa pra outra? Lembra do que você falou ontem, do seu histórico, do seu jeito de pedir as coisas? Se toda vez você tem que explicar tudo do zero, é IA rasa. As que ficam têm memória mesmo.

2. Ela resolve ou só responde?

Depois que você conversa com ela, aconteceu alguma coisa? Uma conta entrou no sistema, um lembrete foi criado, uma tarefa andou? Ou foi papo bonito que evaporou assim que você fechou a tela? Ferramenta que presta deixa rastro.

3. Tem gente séria por trás?

Quem é que mantém isso? Tem site, tem suporte, tem com quem reclamar quando dá problema? Alguém responde? Projeto sério tem dono e tem cara. Projeto de hype tem landing page bonita e um silêncio danado na hora que você precisa.

4. A cobrança é clara?

Você entende o que paga e o que leva em troca? Dá pra experimentar antes de soltar o cartão? Desconfia do "de graça pra sempre" que não explica como se sustenta. O que ninguém paga hoje, ou some amanhã, ou vai te cobrar de um jeito que você não viu chegando.

5. Ela cuida dos seus dados?

Dá pra você ver, mexer e apagar o que ela sabe sobre você? Existe política de privacidade pra valer? Onde seus dados ficam guardados? IA que te respeita te dá esse controle. A que vai sumir nem parou pra pensar nisso.

Regra de bolso: se a IA lembra de você, resolve coisas de verdade, tem gente séria por trás, cobra de forma clara e respeita seus dados — ela tem cara de quem veio pra ficar. Faltando dois ou três desses, desconfie.

E a SARA, em qual lado está?

Justo você se perguntar isso, então vamos ser transparentes, sinal por sinal.

Lembra de você? Sim. A SARA guarda seu histórico e seu contexto — ela não te trata como estranho a cada conversa.

Resolve ou só responde? Resolve. Você manda "gastei 50 no almoço" no WhatsApp e a despesa é registrada de fato. Ela cria lembretes, te avisa de vencimentos, manda resumo da manhã e da noite. Tem rastro de utilidade.

Tem empresa por trás? Tem. Tem site, suporte, cadastro, gente respondendo. Você não fala com o vazio.

Cobrança clara? Tem plano grátis pra você testar sem cartão, e planos pagos com o que cada um inclui na mesa. Sem pegadinha.

Cuida dos seus dados? Seus dados são isolados (cada cliente só acessa o que é seu), ficam em armazenamento privado, e tem política de privacidade. Você tem controle sobre o que ela guarda.

Isso não é pra dizer que a SARA é perfeita, não é. É só pra te dar um exemplo concreto de como rodar os cinco sinais na prática. A ideia é você pegar essa mesma régua e medir qualquer IA que te empurrarem.

O que fazer com isso na prática

Não precisa entender de tecnologia. Precisa só parar de escolher IA pela propaganda.

Da próxima vez que pintar "a IA que vai revolucionar a sua vida", respira e faz as cinco perguntas. Lembra de mim? Resolve mesmo? Quem tá por trás? Como cobra? E os meus dados, como ficam?

Resposta boa, beleza, vai confiando aos poucos. Resposta enrolada, você acabou de escapar de entrar pra conta dos 40%.

A melhor IA não é a da propaganda mais bonita. É a que ainda vai estar de pé daqui a dois anos, lembrando de você e fazendo o trabalho. O resto é embalagem.

Tecnologia muda toda semana. Saber escolher, não. E isso aí você já levou pra casa.

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